Eu sonhava com aquela música, com as palavras estranhas na simples cantiga de roda, e em vários momentos nos sonhos entendia o que Lettie estava dizendo. Nos sonhos eu também falava aquela língua, a língua original, e tinha domínio sobre a natureza de tudo o que era real. No meu sonho, aquela era a língua do que é, e tudo o que fosse falado nela se tornava realidade, porque nada dito com ela pode ser mentira. A língua é o fundamento da construção de tudo. Nos meus sonhos, eu usei esse idioma para curar os doentes e para voar; uma vez sonhei que tinha uma pequena pousada à beira-mar, e para todo mundo que se hospedava lá eu dizia, naquela língua, “Sê inteiro”, e eles se tornavam inteiros, e não pessoas fragmentadas, não mais, porque eu havia falado a língua da criação. 🌈
O oceano no fim do caminho - Neil Gaiman
Postado originalmente em 04 de Janeiro de 2017 em instagram.com/aliorastar por Déborah Rhani

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